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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Praça Onze


Praça Onze (1928)


A Praça Onze é uma sub-região da Zona Central da cidade do Rio de Janeiro, cujo nome foi herdado de um antigo logradouro, hoje extinto. A Praça 11 de Junho (data da Batalha de Riachuelo) antiga, retratada na foto de 1928,  existiu por mais de 150 anos até a década de 1940 e era delimitada pelas ruas de Santana, Marquês de Pombal, Senador Euzébio e Visconde de Itaúna  
A primeira denominação recebida foi de Largo do Rocio Pequeno. Tendo se tornado, nas primeiras décadas do século XX, um dos locais cosmopolitas da então Capital Federal, ao abrigar famílias de imigrantes recém desembarcados. As etnias mais populares no entorno da Praça Onze eram os negros (na maioria oriundos da Bahia), seguidos pelos judeus de várias procedências. Portugueses, espanhóis e italianos, imigrantes, também eram ali numerosos.
Em 1810,  Dom João VI mandou criar uma Cidade Nova, entre o atual Campo de Santana e São Cristovão. A área se destacou das demais ruas da cidade velha por causa das ruas retilíneas e dos extensos lotes. Foi criada, também,  uma praça onde começava o extenso Mangal de São Diogo que recebeu o nome de  Largo do Rocio Pequeno, mais tarde, Praça Onze de Junho.
A praça era, de início, pantanosa, apesar de ser a única praça de comércio da Cidade Nova. No começo do segundo Império (1848) o local recebeu melhorias: um grande chafariz neoclássico em pedra,  projeto do arquiteto Grandjean de Montigny.
O Barão de Mauá, Irineu Evangelista de Sousa, muito fez pelo progresso da área, com a construção, em 1851,  da  Fábrica de Gás, num prédio neoclássico perto da praça, e que hoje em dia é a atual sede da Companhia Estadual de Gás. Também em 1851 foi iniciada a obra do Canal do Mangue devido a necessidade de saneamento da  cidade que vivia às voltas com a febre amarela. Foi estabelecido, no mesmo canal, um sistema de hidrovias que ligava a Cidade Nova ao Centro. Em 1858, a Estrada de Ferro da Estação Dom Pedro II atingiu aquele ponto da cidade e o sistema de hidrovias caiu em desuso.
Com a vitória das forças navais brasileiras contra a esquadra paraguaia em Riachuelo, no dia 11 de junho de 1865, a Câmara Municipal mudou o nome do Largo do Rocio Pequeno para Praça Onze de Junho. Seis anos depois, a praça ganhou sua primeira escola pública, numa época em que a área já teve várias fábricas e manufaturas. Logo em 1859 circulava a primeira linha de bondes pela Cidade Nova. Em 1872, outra linha de bondes tornava o bairro uma área bem servida de transportes coletivos. Em 1869 o mangue foi embelezado com palmeiras.
Em 1888, havia na Praça Onze grande leva de judeus imigrantes, sendo que um deles, Joseph Villiger, fundou no local a primeira fábrica de cervejas do Rio: a Brahma.
Com a abolição da escravidão (1888) e a Proclamação da República (1889), os moradores de melhor nível social mudaram-se para os novos bairros da Zona Sul, deixando na Cidade Nova enormes casarões desertos, logo ocupados por fábricas, casas-de-cômodos, cortiços e barracos.
Pela proximidade das áreas portuária e central, pelos bons transportes coletivos , pela derrubada de muitos cortiços na área da cidade velha e pela existência no local de muitas fábricas e manufaturas, o local foi escolhido para moradia de ex-escravos saídos das senzalas das fazendas do Vale do Paraíba. Essa comunidade aglomerou-se em volta da Praça Onze, transformando-a em o primeiro gueto negro do Rio de Janeiro. Para lá, levaram sua cultura e arte, surgindo desse amálgama social o samba, canção e dança negra de cunho nitidamente urbano, feito nas senzalas e aprimorado na Praça Onze.
Na casa da negra baiana Tia Ciata, ou Assiata, os muitos ritmos africanos eram tocados e dançados. Ela era tida como conhecedora de músicas e ritmos africanos da comunidade. Dalí saíram sambas históricos e compositores de talento como Donga, Pixinguinha e Sinhô.
Em agosto de 1928, Ismael Silva e outros sambistas fundaram a "Deixa Falar", considerada a primeira Escola de Samba, depois de longa perseguição policial. A divisão da "Deixa Falar" resultaria anos depois em várias escolas: a Estácio de Sá, Estação Primeira de Mangueira, a Azul e Branco (hoje Salgueiro) e a Vai Como Pode (atual Portela).
Em 1933, o então prefeito Pedro Ernesto Batista, organizou o primeiro desfile oficial de Escolas de Samba da Praça Onze, de onde a Mangueira saiu vencedora. Os desfiles passaram a ser anuais, naquele local, com grande afluência do público.
Entretanto, em 1942, com a abertura da Avenida Presidente Vargas, a Praça Onze foi arrasada pelas obras, incluindo a transferência do Chafariz de Grandjean para a Praça Afonso Vizeu, no Alto da Boa Vista.
Apesar da destruição do local, a resistência cultural era já muito grande e a Cidade Nova nunca deixou de sediar os desfiles de samba, a não ser por curtos períodos. Depois, os desfile foram realizados na Avenida Presidente Vargas. A seguir , passaram para a Avenida Marquês de Sapucaí, no Catumbi. Foi nela que, em 1983, se construiu a avenida dos desfiles, mais conhecida por Sambódromo, num projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, inaugurado em março de 1984, com um desfile histórico, onde a Mangueira ganhou mais uma vez.
No local da velha Praça Onze de Junho, foi levantado em 1986 o monumento em bronze e cimento em homenagem à Zumbi dos Palmares, como lembrança da resistência cultural da comunidade negra que ali habitou e sobreviveu a todas as intervenções sofridas naquele espaço geográfico. A 20 de novembro, anualmente, a comunidade negra ali se reúne para homenagear Zumbi e reviver as tradições culturais importantes que o tempo e as intervenções não deixaram morrer.

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