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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Universidade do Distrito Federal: influência francesa na elite intelectual brasileira (1935-1938)



Artigo apresentado em Salamanca, Espanha, durante o Congresso Internacional de História da Educação Latinoamericana(CIHELA) de 2012

 

Heloisa Helena Meirelles dos Santos
UERJ                               
 La educación superior en Iberoamérica
durante la primera mitad del siglo XX (1900-1945).


A criação da Universidade do Distrito Federal (UDF),[1] uniu esforços intelectuais para imprimir: a institucionalização da cultura, através das pesquisas sobre o Brasil;  uma nova metodologia; experimentos da integração com outros intelectuais e  valorização da ciência através da biblioteca universitária. Foram esforços brasileiros e franceses, cada um com seu próprio objetivo: idealista ou pragmático, que alinhados, mudaram o eixo cultural e deixaram influências marcantes para as gerações posteriores.
Havia interesse francês em, principalmente depois da guerra, fazer da cultura sua propaganda política, criando uma simbiose perfeita de tal forma que os franceses, professores, escritores, cientistas, enfim, se tornassem «embaixadores» (SUPPO, 2000, p.311).  Em 1932, a questão da propaganda francesa tornou-se obsessiva até por conta da complexa política na Europa após o Tratado de Versalhes.
Interessa destacar o paradigma defendido pela Associação Brasileira de Educação (ABE) e Associação Brasileira de Ciência (ABC) e implementado na UDF, e  as pretensões políticas francesas que se alinhavam na reforma educacional anisiana[2]: a criação de uma universidade que, em sendo, um lugar de liberdade, possibilitasse aos que ali ensinassem e aos que ali aprendessem, ser o fino escól da humanidade para quem a vida só vale pelos ideais que a alimentam (TEIXEIRA,1935).
Para a França, a UDF era um espaço importante a ser conquistado, visto que a colônia francesa não era numerosa no Brasil e a elite era consumidora de produtos franceses. Por isso era relevante que, no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, onde estava concentrada a elite intelectual, se falasse francês, o que cotidianamente ocorria para parecer ser culto. A meta era que se pudesse ler em francês para entender e assimilar a cultura francesa. O melhor lugar para que estes objetivos fossem implementados eram as universidades que se estavam criando, principalmente uma universidade no centro cultural do país. A língua é elemento importante na troca simbólica: é instrumento de poder (BOURDIEU, 1983, p.161) e os franceses a usavam na sua política de alinhamento francófila.
No Brasil, desde a colonização, a cultura se baseava no patamar biblioteca, teatro e museu (MILANESI, 1997, p.23), assim, realçar a biblioteca universitária da UDF era realçar a cultura institucional. Para a França a cultura estava dentro de seu complexo sistema de propaganda que fazia o país manter e conquistar aliados no pós-guerra. Este sistema incluía os professores que, por nacionalismo ou ascensão profissional, se predispunham a propagandear a França, comercial ou culturalmente, em busca de aliados.
Mesmo tendo ido a Lisboa, e em busca de judeus que já haviam sido cooptados por ingleses e americanos, o reitor da UDF viajou com um propósito: contratar docentes europeus que pudessem ensinar aos futuros professores secundaristas e universitários e também atualizar aqueles que já trabalhavam, sem a devida experiência européia, institucionalizando a cultura. A Europa, a França especialmente, era o símbolo do mundo civilizado. A França tinha todo o interesse de cedê-los: eram os «embaixadores»: aqueles que divulgariam e expandiriam o futuro apoio à França.
            Mas não seria suficiente a tática da UDF de, com os contratados, limitar os conhecimentos trazidos por eles aos muros da universidade. Era importante partilhar, o que interessava também a França. A universidade era no paradigma anisiano, o espaço da liberdade, da congregação, o que unia perfeitamente ambos os interesses ainda que idealistas de um lado e pragmáticos do outro.
Foram proferidas palestras por vários professores contratados, dos quais optamos por descrever apenas as de Henri Hauser[3]. Todos cumprindo sua dupla função: servirem à institucionalização da pesquisa e a difusão da ciência no Brasil e à propaganda francesa.

Institucionalização da cultura francesa: os professores

Era necessário imprimir modernidade, civilização e refinamento de modo a tornar a UDF uma universidade promotora de cultura. Segundo Bergson (2006, p. 268) as obras dos filósofos franceses foram escritas para a humanidade, e sendo a França o modelo civilizatório, era natural que, para a diferenciação pretendida, o «berço civilizatório ocidental» fosse visitado.
Explica Reis (1970, p.89) que foram influências culturais reconhecidas pela elite brasileira as de nacionalidade portuguesa (a Universidade de Coimbra), as de nacionalidade inglesa, francesa, alemã e posteriormente a norte-americana. O fato de buscar no continente europeu a cultura que se desejava imprimir, não era de modo algum inesperada.
Contratou o reitor vários professores, em sua grande maioria de nacionalidade francesa, para lecionar diferentes disciplinas e construir uma  trajetória institucional de pesquisa para alunos e docentes brasileiros. Eles eram profissionais reconhecidos na França e deram um impulso significativo às disciplinas que vieram lecionar. Vinham com a chancela do governo francês, prontos a «contribuir» significativamente para a UDF.
Foram contratados Émile Viktor Leinz (Mineralogia e Geologia), Bernard Gross (Física), Èugene Albertini, Henri Hauser e Henri Tronchon (História), Étiene Souriou (Psicologia e Filosofia), Jean Bourcieuz (Filologia das Línguas Românticas), Jaques Perret (Línguas e Literatura Greco-romanas), Pierre Deffontaine (Geografia) e Robert Garric (Literatura), dentre outros.
            Era parte do paradigma anisiano que alunos e professores e, também, a intelectualidade extramuros, tomasse contato com os saberes, que na Europa se modificavam em razão dos novos tempos de industrialização, ideologias e consumo[4]. Assim se institucionalizava a pesquisa mudando o eixo cultural brasileiro. Novamente alinhavam-se os interesses franceses que não desejavam perder espaço para a Itália, a Alemanha ou os norte-americanos no Brasil.
            Mas não era só o contato com os franceses contratados que fazia da universidade um centro de pesquisas com influência européia. Conta-nos Schwartzman (2001, p.13) que por não existirem instalações, os alunos visitavam e pesquisam em várias instituições brasileiras e tinham contato com intelectuais brasileiros e europeus de outros países.
 Frequentavam Leinz, geólogo alemão, no Departamento Nacional de Produção Mineral, os laboratórios de Lauro Travassos, em Manguinhos, o alemão Viktor Gross, no Instituto Nacional de Tecnologia. Observavam as pesquisas mais recentes e as experiências em andamento. Era a integração pretendida entre a intelectualidade, através da Universidade do Distrito Federal.
Tais contatos, no entanto, naquele momento político, não interessavam à França, que, de certa forma sentia que perdia, com cada alemão ou italiano que os estudantes entrassem em contato, um pouco de sua influência cultural.

Difusão cultural e alinhamento: as conferências

            Os professores franceses, além das aulas que ministravam, eram convidados para conferências onde se reunia a intelectualidade para ouvi-los sobre diversos assuntos que variavam da diplomacia à história, da política internacional à economia e às colônias ainda existentes. Era o pensamento francês, a política francesa, a cultura francesa se disseminando entre a elite intelectual no Distrito Federal.
O professor Henri Hauser, por exemplo, elaborou cursos que extrapolaram o programa para a qual fora contratado. O assunto para a Academia Brasileira de Letras,   sob o patrocínio do Instituto Franco-Brasileiro de Alta Cultura, um dos eixos disseminadores da política de alinhamento francês, com prováveis modificações da reitoria da UDF, como demonstram os riscados e reescritos manuscritos do documento,  incluía o tema “Le portait dans l’histoire de France de la fin du XVe   au début du XIX siècle”, dividido em seis lições: La Renaissance et la Reforme; Les guerres de Religion; Henri IV et Louis XIII (jusqu’à 1660);Le siècle des Louis XIV; Le siècle de l’Encyclopédies et La Révolution. Este retrato da história francesa já mostrava o que começava a ser discutido nos Annales sobre a história de longa duração. Quem assistiu às aulas de Hauser, como Rodrigo Otávio e Carlos Flexa Ribeiro, lembram-se delas como de encantamento intelectual (apud VENÂNCIO FILHO, 1997, p.893)
No Palácio Itamaraty, sob o patrocínio do Ministério do Exterior e da Sociedade Brasileira de Direito Internacional, foi escolhido o tema “Economie et diplomaties”, em cinco lições: Les nouvelles conditions de La politique internationale. La diplomatie de lávenir et Le role Du problémes économiques; La question dês matières premières. La redistribuition des colonies et mandats et la faix mondiale ; La concurrence internationale, les tendances à l’autarkie et le problème de l’economie dirigée ; Questions de population, surpopulation, dépeuplement,émigration et immigration ; Les obstacles à la circulation des hommes et des merchandises, question de races, d’assimilation et d’economie dirigée. Ali discutiram assuntos que interessaram sobremaneira à política francesa pós Versalhes.
A política cultural repousou, neste período, sobre a ação dos professores enviados como «embaixadores» que implementaram no Brasil a política francófila, de uma forma consciente na maioria das vezes, como acredito ser o caso de Hauser. Suppo (2000, p.311) menciona que a análise do papel destes intelectuais, à exceção de Georges Dumas[5], é praticamente inexistente na bibliografia disponível.
Na UDF foi feita uma conferência apenas sobre o tema “La conception française de l’histoire économique’, patrocinada pelo Diretório Acadêmico.da Faculdade de Direito. O tema, dentro do assunto para o qual foi contratado, demonstra não só a diversidade de assuntos que os «embaixadores» , e Hauser era um deles, deviam tratar, se pudessem, como a importância e peso da política propagandística francesa depositada nestes professores.
            Em cada espaço onde proferiu conferências o Professor Henri Hauser teve uma platéia ávida de conhecimento e disposta a discutir assuntos variados sobre o país e o mundo, como demonstra a historiografia que apresenta as palestras[6]. Em cada espaço foi plantado um alinhamento futuro, dentro das perspectivas francesas.

Materialização da cultura: a biblioteca

Tão logo criada a UDF, foi montada uma biblioteca que servisse às pesquisas e a nova estrutura pedagógica que ali se queria desenvolver. Émile Brèhier, um dos professores «embaixadores», intermediou doações de instituições e do governo francês para equipar, com a cultura francesa, a nova biblioteca, o que ajudou o mercado editorial francês em sérias dificuldades financeiras.
Segundo Bergson (2006, p. 268) as obras dos filósofos franceses foram escritas para a humanidade, e sendo a França o modelo civilizatório, especialmente no século XIX e início do século XX, as doações bibliográficas foram consideradas pelo bibliotecário Gastão Cruls, médico, escritor e apaixonado pela literatura, um valioso préstimo à nova universidade. Para a França, ao produzir a francofilia, ela desenvolve e cria o espaço, nos países alvos (SUPPO, 2000, p.3222)
A França sempre procurou se caracterizar como expressão máxima da civilização, e o livro era o elemento que distinguia os cultos dos incultos (MILANESI, 1997, p.49), deste modo, outra vez, as intenções se integravam: as França e as da Universidade do Distrito Federal.
Ao discutir o papel da linguagem, Bourdieu (1983, p.161) demonstra que a língua, não importa se falada ou escrita, não é só um instrumento de comunicação ou mesmo de um conhecimento, mas um instrumento de troca simbólica, um instrumento de poder. Poder compor a biblioteca de uma Universidade, que pretendia consolidar-se como centro de formação intelectual do país, com elementos privilegiados, na língua e por autores franceses, era ter o respaldo do poder cultural que a França detinha.
A oferenda francesa englobou obras nas áreas de Filosofia, Literatura, História, Geografia, Literatura, etc. que refletiam adequação à pesquisa e a cultura. Para a França, assegurava-se na biblioteca uma influência cultural majoritária e materialmente identificável.
De 1936 até abril de 1938, período mais conturbado na política internacional, o setor recebeu 2.289 obras doadas, ou compradas pelo fundo Affonso Penna, a partir de catálogos recebidos da França – quer por instituições, professores ou pelo governo – por franceses enfim, que se acreditavam credenciados para mediar a cultura e o conhecimento na UDF.  Os relatórios da Biblioteca da Universidade do Distrito Federal indicam, com riqueza de detalhes, as relações das doações do Governo francês (Ministério das Relações Exteriores e Embaixada Francesa no Brasil), da Universidade de Paris e do Barão Ernest Seillière, secretário perpétuo da Academie des Sciences Morales et Politiques e os livros comprados pelo Fundo Affonso Penna, a partir de catálogos franceses.
Interessava a França participar culturalmente da universidade criada, materialmente através da biblioteca, como participara da Universidade de São Paulo. Não desejava perder sua influência nas novas universidades brasileiras para os  italianos e principalmente para os alemães (FERREIRA, 2006, p.229), como indicam as correspondências.

Conclusão
           
            A intelectualidade brasileira recebeu significativa influência dos franceses que, como «embaixadores» de seu país, aqui atuaram como professores, dentro e fora da UDF. No momento em que a França participou desta «troca» cultural havia interesses nacionais de continuar uma política iniciada no início do século, e alargada, a partir de Versalhes, de empreender, propagandística e politicamente, um alinhamento considerado necessário, especialmente com os países da América do Sul.
A criação das universidades brasileiras no mesmo momento, fez com que se alinhassem a França e a elite intelectual brasileira, ainda que seus objetivos não fossem os mesmos. Pelo que pude depreender a matriz francesa e o idealismo de Anísio Teixeira se complementaram, assim como as pretensões para a UDF e a expansão, como política, da francofilia.
            Ainda que a UDF tivesse sido uma experiência de curta duração, é inegável, que a meta de institucionalizar a pesquisa foi alcançada, mesmo que não exatamente como planejado pelos franceses em sua política propagandística de alinhamento. Mas os franceses tiveram com essa experiência, do contrato de aulas às conferências, e mais com a formação da biblioteca universitária, uma influência sólida que perdurou muito tempo após a extinção da UDF na elite intelectual brasileira, ainda não analisada devidamente pela historiografia, como observam Suppo (2000) e Venâncio Filho (1997).

Referências

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BOURDIEU, Pierre. Sociologia. ORTIZ, Renato (org.). Coleção Grandes Cientistas  Sociais, vol.39São Paulo: Ática, 1983 pp. 156-183

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____. UDF. Cours de M. Hauser. Manuscrito.Em francês.

____ UDF. Correspondência de Henri Hauser ao Reitor. 13 de abril de 1936. Manuscrito. Em francês.
____ UDF. Sumário das Conferências realizadas no Rio de Janeiro pelo Exmo. Snr. Professor Henri Hauser. Academia Brasileira de Letras (manuscrito)

_____UDF. Programa do curso de História Moderna e Econômica. Professor H. Hauser. s/data

____ UDF. Escola de Economia e Direito. Programa do curso de Historia Moderna e Economica (com anotações em português. s/data e s/indicações do autor das anotações)

____ UDF. Relatórios da Biblioteca (1936,1937 3 1938)

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[1] Criada pelo Decreto nº 5.513 de 4 de abril de 1935. Para maiores informações sobre as universidades de curta duração, como a UDF, que foi extinta em 1939 para dar lugar à Universidade do Brasil, ver também como importantes referências os trabalhos: CUNHA, L. A. C. R. A Universidade Temporã - O Ensino Superior da Colônia A Era de Vargas, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1980; CUNHA, Luiz Antonio. «Ensino Superior e a Universidade no Brasil» In: TEIXEIRA, Eliane Marta; FARIA FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cynthia Greive. 500 anos de educação no Brasil, Belo Horizonte: Autêntica, 2007
[2]Anísio Teixeira, como Diretor Geral do Departamento de Educação e Cultura do Distrito Federal empreendeu, a partir, de 1932, uma ampla reforma educacional, do ensino primário à criação de uma universidade. (MENDONÇA, 1993)
[3] Formou-se pela Ècole Normal Superior.Foi professor dos Liceus de Pau e Poitiers, nas Universidades de Clermont-Ferrand, em Dijon; catedrático de História Econômica na Sorbonne; Doutor na Faculdade de Letras de Paris (1892) . Autor de  vasta obra: Travail- leurs et Marchands dans l’ Ancinne France (1896) ; Ouvries Du Temps Passé (1927), Les Debuts du Capitalisme (1931), La Reponse de Jean Bodin à M. Malestroit (1932), etc. (VENÂNCIO FILHO, 1997, p.890-891).
[4] Ver também FÁVERO, Maria de Lourdes de Albuquerque. A UDF, sua vocação política e científica: um legado para se pensar a universidade hoje. Pro-Posições. v. 15. n. 3 (45)  set./dez. 2004

[5] O psicólogo Georges Dumas torna-se o executor da política cultural francesa que, por um lado, estabelece a ligação entre o mundo diplomático e o mundo das universidades – através do Groupement des Universités et Grandes Écoles de France pour les Relations avec l'Amérique latine (Groupement) – e, por outro, cria no Brasil as condições de implementação da política cultural francesa. Georges Dumas passa assim de um papel de universitário, no interior do Groupement, do qual é um dos elementos fundadores, ao papel de representante intelectual do Ministério das Relações Exteriores francês.(SUPPO, 2000, p. 309)  
[6] Ver também VENÂNCIO FILHO, Alberto. Henri Hauser e o Brasil. Revista do IHGB nº398, jul/set 1997
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