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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Pesquisando a Casa de Paulo Robin dirigida por G. Klumb



Procissão do Corpo de Deus, Igreja do Carmo



Pesquisando fotografias que vi na Brasiliana, descobri uma casa comercial alí citada como Casa de Paulo Robin, e litografias lindas da cidade do Rio de Janeiro, tiradas por G. Klumb, que não conhecia. Curiosa, fui pesquisar (tudo na História do Rio me interessa!) e descobri, então, a Lithographia e Zincographia Artística e Commercial, citada no Almanak Laèmmert como  

Paulo Robin & C., premiados em diversas exposições, r. da assembleia, 44 e 46 Lithogrphia artística ecomercial, especialidade de  chromolithografia, mapas geográficos, ações de companhias, letras de câmbios, diplomas de sociedades, etc., etc.



            Fui verificar se havia bibliografia acadêmica específica sobre Klum, ou Paulo Robin. Quem eram? De onde vieram? Descobri que são citados em pesquisas sobre imagens, mas queria saber um pouco mais, além, apenas, das citações. Passo a pesquisa[1]. Adorei!. Deliciem-se!
            Estima-se que o francês Paul Théodore Robin (-1897) tenha chegado  ao Rio de Janeiro em 1853-1854, já com experiência litográfica, pois logo à chegada formou a sociedade Alfredo Martinet & Paulo Robin, com litografia na Rua da Ajuda, 113, que durou poucos meses. Em 1860, Robin já aparece no Laèmmert com ateliê de “fotografia e ambrotipia” na Rua dos Ourives, 117, primeiro andar, uma sociedade Maupoint & Robin, uma prática que iria beneficiá-lo futuramente, quando montasse sua própria oficina de fotogravador. A sociedade com Maupoint também pouco durou, cerca de um ano. Em 1862 já possuía seu próprio ateliê fotográfica, estabelecido à Rua São José, 94 e 96, a “Officina de Paulo Robin, dirigida por Henrique Klumb”. Em 1875, a firma se modifica passando a denominar-se Angelo & Robin, sendo o sócio principal Angelo Agostini, litógrafo italiano.

Passeio Público. Atente que a foto é anterior aos melhoramentos de Pereira Passos, no início do século eguinte.

Igreja de São Francisco da Penitência



Revert Henrique Klumb (Alemanha, 1830 - 1886) foi fotógrafo. Não se conhece o ano da chegada ao Brasil[2], mas sabe-se que se instala no Rio de Janeiro em 1852. Entre 1855 e 1862, realiza diversas vistas estereoscópicas da capital imperial e é, provavelmente, o introdutor desse processo no país. Em 1860, é condecorado com uma menção honrosa na 14ª Exposição Geral de Belas Artes da Academia Imperial de Belas Artes. No ano seguinte, documenta a inauguração da primeira estrada de rodagem brasileira, a União-Indústria, ligando Petrópolis, no Rio de Janeiro, à cidade mineira Juiz de Fora. Klumb obteve o título de Photographo da Casa Imperial no Rio de Janeiro, o que proporcionou ao estabelecimento de Robin grande reconhecimento aproveitado em suas propagandas. [3] Klum foi autor do livro de fotografias Doze Horas em Diligência: Guia do Viajante de Petrópolis a Juiz de Fora, o que possibilitou ser um dos pioneiros da edição de livros de fotografia no Brasil. A partir de 1866, ao mudar-se para Petrópolis, torna-se instrutor de fotografia de D. Isabel do Brasil (1846-1921), em Petrópolis. Além de retratar uma clientela nobre, Klumb é conhecido pelas paisagens e por registrar plantas, aves e naturezas-mortas, temas pouco comuns na fotografia oitocentista. Publica, em 1872, Doze Horas em Diligência. Guia do Viajante de Petrópolis a Juiz de Fora, um dos primeiros livros de fotografia editados no Brasil, com textos e fotos de sua autoria. Entre 1860 e 1870, mantém sociedade com Paul T. Robin no estabelecimento Photographia Brazileira. Por volta de 1885, muda-se para Paris com a família, mas, no ano seguinte, devido a problemas financeiros, solicita passagens de volta ao Brasil à Imperatriz dona Teresa Cristina (1822-1889) ainda que a passagem lhe tenha sido encaminhada, não se sabe se foi para Salvador, com pretendia, ou se permaneceu na Europa.
Klumb foi o primeiro fotógrafo a documentar a paisagem carioca de maneira ampla e sistemática. Possivelmente entre 1855 e 1862, realiza cerca de 200 imagens estereoscópicas mostrando a capital do império ainda com feições coloniais. Registrou o Passeio Público antes da reforma iniciada em 1862, a Floresta da Tijuca, o Jardim Botânico, edifícios públicos, monumentos históricos, vistas gerais da cidade e cenas urbanas com o movimento das ruas. As fotos que aqui publico são, todas, do período 1865-1867.
As imagens panorâmicas feitas por Klumb do alto dos morros, lembram o caráter descritivo da pintura holandesa do século XVII. No Passeio Público e no Jardim Botânico, a figura humana está quase sempre presente, apresentada de maneira diminuta em relação à exuberância da flora. Outros temas enfocados por Klumb o singularizam em relação à fotografia oitocentista brasileira: por volta de 1860, ele retrata lavadeiras na Floresta da Tijuca e registra uma procissão em frente à capela imperial, o que demonstra seu interesse pelo cotidiano da cidade. Fotografou também,aves e plantas nos jardins da residência da princesa Isabel (1846-1921), naturezas-mortas e, por encomenda do imperador dom Pedro II (1825-1891), os interiores do Palácio de São Cristóvão.


Interior do Hospital da Marinha, Ilha das Cobras

Fachada da Usina de Gaz
 
Canal do Aterrado, Morro Santos Rodrigues. Caixa D'Água

Embarcadouro da cia. Ferry, Cais Pharoux


Igreja de São Francisco da Penitência


 
Escola Militar, Largo de São Francisco






[1] Ler FERREIRA, Orlando da Costa. Imagem e Letra - Introdução à Bibliografia Brasileira: A Imagem Gravada. 2ª ed. São Paulo: Edusp, 1994, pp. 398-399. As fotos de Klumb fazem parte do acervo Tereza Cristina da BN.
[2] Era muito comuns que os viajantes estrangeiros, que visitavam o Brasil  retratassem a exuberante flora e fauna, os costumes, etc..
[3] Além dele, Germano Wahnschaffe e Augusto Stahl também receberam esse título.
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