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domingo, 26 de maio de 2013

Voltando ao tempo de Pereira Passos



Fonte: AGCRJ Bota-abaixo (foto Malta)
A maior característica da reforma urbana de Pereira Passos, prefeito do Distrito Federal no início do século XX, foi continuar a expulsão dos pobres do centro do Rio e da zona portuária. Isso ocorreu pela especulação imobiliária, então, que vendia terrenos a preço de ouro e, ao mesmo tempo, dava por desculpa medidas higienistas e o embelezamento da região central aos visitantes que aqui aportavam, no 2º porto da América do Sul (o primeiro era o da Argentina).

Essa medida de modernidade afastou do centro aqueles que não tinham emprego fixo e que, para trabalhar, tinham empregos obtidos no dia, como transportar algo, varrer, limpar, etc. Essas pessoas, imigrantes e negros, em sua maioria, moravam nos cortiços derrubados a partir de 1893 (derrubada do "Cabeça de Porco", o maior cortiço da cidade) e foram, na medida do "bota-abaixo", se afastando do centro para a Cidade Nova (daí o nome) e para os subúrbios, paralelos a linha do trem. Com eles, as fábricas foram neste percurso se instalando, para absorver a mão-de-obra que não tinha dinheiro para o transporte nos ferro carril (bondes) da cidade.

Por que estou lembrando isso?

Recebi um e-mail de um amigo, professor da Escola Vicente Licínio Cardoso, instalada na região do "Porto Maravilha", designação pós-modernista do mesmo lugar. A ESCOLA ESTÁ SENDO EXTINTA.Por que? Pela mesma (agora mais moderna e tecnológica) especulação imobiliária que, também, quase extinguiu a Escola Friedenreich, no Maracanã e ia derrubar o prédio do antigo Museu do Índio.

Foto divulgação



Há coisas nesta nossa linda cidade que se repetem. São denunciadas (as medidas de Pereira Passos também o fora, nos jornais da cidade) e mesmo assim acontecem e nos entristecem. Como carioca não vou dizer que não quero minha cidade linda, quero sim. Mas não às custas de nossas tradições culturais.
Essa escola, Senhor Prefeito (político carioca)  e Senhora Secretária de Educação (administradora paulista), tem identidade nas tradições africanas e quilombola da região do Porto. Sugiro que se informem, vão ler, vão estudar as nossas tradições, chamem quem entende do assunto. Não ajam apenas ouvindo a especulação imobiliária. Ela é perversa.

Escola Vicente Licínio Cardoso
Fonte:http://epf.rioeduca.net/crep/escola-primeira-rep/vicente_cardoso.htm

Só para conhecimento de quem me lê, não há só o CRIME CULTURAL de alijar a cultura da cidade no aspecto de nossa identidade negra; a escola foi criada em 1912 (24 de abril), é uma das escolas da 1ª república. Sua criação é da gestão de Benjamin Franklin Ramiz Galvão, um importantíssimo Diretor da Instrução Pública do Distrito Federal (Prefeito Bento Manoel Ribeiro Carneiro Monteiro). O prédio foi reconstruído em 1942, já com características escolanovistas. Isso basta?

Podia transcrever a carta do diretor da escola, não o faço pelas retaliações que ele e seus professores guerreiros podem sofrer. Eu, mais velhinha, já perdi o medo de "cara feia" faz tempo, não sou e nem pretendo ser política e não ando no arame. Digo o que penso. E peço que aqueles que me leem ajudem a divulgar o que está sendo feito com nossa cultura, numa cidade considerada PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE.
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