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domingo, 19 de fevereiro de 2012

1889: febre amarela e falta d´água

Chafariz da Pirâmide (Praça XV)

Chafariz doLagarto (Rua Frei Caneca)

Chafariz da Carioca (Escadarias da Igreja de Santo Antonio)



 
Em março de 1889, a cidade do Rio de Janeiro conviveu com um violento surto de febre amarela que matou cerca de duas mil pessoas. Era época de um calor muito grande o que baixou, em níveis críticos, os mananciais de água que abasteciam a cidade. Assim, a falta de saneamento que já existia, aliada à falta d´água fez  um grande estrago à cidade e seus habitantes.

A cidade levou mais de cem dias sob estiagem,  a seca, como diz o Relatório do Ministro do Império de 1888, o que ocasionou inúmeros transtornos à população e matou muita gente.
Os chafarizes, pontos de abastecimento do povo, ficaram secos. Se via gente, muita gente, nos chafarizes do Campo de Sant`Anna, no do Largo do Capim, no do Largo do Mata-Porco, enfim, nos muitos chafarizes que existiam espalhados pela cidade. A todo o momento promoviam-se comícios nos chafarizes exigindo água imediata. Os jornais cobravam do governo imperial as providências. Todo o Rio de Janeiro reclamava.

O governo imperial, por sua vez, tentando resolver os problemas da seca e da febre amarela, editou o Decreto 10.181/89 que disponibilizava, depois de muita discussão dos nobres que compuseram uma comissão especial, um crédito extraordinário de 5.000:000$000 para estabelecer um sistema hospitalar completo de terra e uma reforma no porto, além de obras para o saneamento sistemático e preventivo da capital. Parte destes recursos não ficou no Rio de Janeiro, foi encaminhado às províncias do norte que também sofriam com a falta de água.

A seca continuava. E a febre amarela persistia, como sempre, há muitos anos. O povo não sabia mais o que fazer até que o Engenheiro Francisco de Paula Bicalho, que chefiava a Diretoria de Obras do Novo Abastecimento, deu uma declaração aos jornais informando ter recusado um plano de reforço ao abastecimento de água da cidade que, em 40 dias, resolveria o problema da seca. Todos opinavam. Todos tinham a solução. Todos criticavam.

Nesta imensa confusão, o Diário de Notícias publicou um artigo, assinado pelo Engenheiro Paulo de Frontin, que dizia poder resolver o abastecimento em seis dias. Ninguém acreditou. Seis dias?
Como não havia outra idéia para o problema da seca, o governo imperial disponibilizou verba e contratou o engenheiro  Paulo de Frontin que, imediatamente, começou a trabalhar. Ele construiu logo uma comunicação provisória, através de uma calha de madeira, ligando as cachoeiras de Tinguá, na serra fluminense, à cidade. 

Era por ali que a água passaria.

Em seis dias o Rio de Janeiro tinha água e o povo cantava pela rua “Palmas! Palmas ao Frontin!”
Quanto a febre amarela... bom, esta só se resolveu, nas áreas urbanas, na década de 1930. No Rio de Janeiro, finalmente acabou em 1903, com as providências de Oswaldo Cruz, mas isso já é outra história.

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