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domingo, 11 de março de 2012

O salário dos professores



Todas as eleições de que participei, desde que pude votar depois da ditadura militar, a palavra que mais ouvi em campanha é EDUCAÇÃO. Fosse campanha de vereador, deputado estadual, federal, senador, presidente da República, lá estava a palavra mágica EDUCAÇÃO para dar, creio, mais credibilidade ao candidato, mostrar intresse, quem sabe, na instrução dos brasileiros e até, suponho, mostrar a importância do tema. Infelizmente, desde que voto, e aqui abro um parêteses para explicar que fui uma das muitas pessoas que participaram de atos para que pudéssemos votar e escolher nossos candidatos, não tenho tido a sorte de ver nenhuma promessa eleitoral cumprida. Por falta de sorte dos políticos eles não têm como manipular alguém que, sabendo um pouquinho mais que eles e conhecendo as velhas histórias (AINDA RECENTES) do coronelismo brasileiro, vota e escolhe sem monitoramento.

Venho de uma família de professores. Conheço e vivi as agruras da profissão, assim como os gratificantes momentos de mãos inertes escreverem textos e olhos dispersos lerem usando o código de letramento. Nunca vi, nem vivi, melhoria salarial digna. Viesse de que partido fosse. Viesse proposta por um parlamentar sequer. Mas vi, muitas vezes, as discussões - e apressadas conclusões - por aumentos salariais próprios dos políticos. Vi, e assisti através da imprensa, atos de corrupção onde vereadores, deputados, senadores... punham no próprio bolso o dinheiro suado de uma nação guerreira mas sem esperança neles.

Sempre acreditei que político não é profissão, mas agora os políticos deixam o feudo conquistado à custa da miserabilidade do povo brasileiro, para filhos, netos, esposas, como se o dinheiro público fosse espólio de seu testamento.





E os políticos, esses que ganham bem e, às nossas custas, vivem anos e anos na "profissão", acreditam que a fortuna de R$ 1.451,00 reais de piso vai "quebrar" os pequenos municípios. Só para não esquecer: qual o salário do prefeito - por vezes semi-alfabetizado - nestes municípios? Quantos vereadores tem a Câmara Municipal? Qual o salário dos "fulanos do posto, do INSS, do transporte escolar, do...", "sicranos de não sei o que ou onde"? Garanto que não é valor igual ou inferior a R$ 1.451,00, em nenhum município brasileiro. Mas pagar esta fortuna a um professor, certamente, "quebraria" o município, o estado e até, quem sabe?, o país.


Li, ontem no O GLOBO, um crônica (não sei de de Zuenir Ventura ou Jorge Moreno) sobre este salário maravilhoso que "quebra" financeiramente os municípios. Creio que nenhum dos dois é professor, mas a causa foi defendida, o que agradecem os professores. Pena, senhores, que nas greves (e já participei de muitas) a imprensa venha trazer ao público a mensagem de prejuízo aos alunos pelos dias parados. A quem devemos "culpar" pelo salário indigno do professor? A quem realmente tem culpa, os "políticos"? Não creio que a isso se atrevessem, porque os jornais precisam de anunciantes e jornalistas precisam de emprego.

Tudo isso é só para que reflitam se esses homens e mulheres que dizem, nas campanhas, ter apreço pela EDUCAÇÃO, realmente tem. Para pensar se, há muito tempo, não estamos sendo vítimas do "conto do vigário" de estelionatários da nossa civilidade?
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