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quinta-feira, 1 de março de 2012

Feliz aniversário, meu Rio de Janeiro!



Quando a gente divisa, lá do Corcovado, a cidade do Rio de Janeiro, tem-se a impressão de visualizar o paraíso. Em espaços grandes, destaca-se a Lagoa, o Jóquei, o Maracanã. E o Cristo Redentor lá, de braços abertos para receber quem chega e dar acalanto a quem já mora ali.
Quando Joze de Souza Azevedo Pizarro de Araujo[1] escreveu as Memórias Históricas Do Rio de Janeiro e províncias anexas à jurisdição do vice-rei do Estado do Brasil, dedicando-as a El Rei o Senhor  D. Joao VI, ele descreve a entrada do Rio de Janeiro, que a época era feita por mar, descreve os “penhascos que servem de faróis”: o Pico e o Pão de Açúcar além das inúmeras fortificações que guardavam o Rio de Janeiro.
Conta, que “ desde o início de seu estabelecimento, foi governada a província do Rio de Janeiro, por sugeitos [2]caracterizados por patentes de capitão mor (p. 145) e que “ El Rei D. José I, transladou o Vice- Reinado para a Cidade de São Sebatião” (ibid). O primeiro Vice-Rei foi D. Antonio Alvares da Cunha, “ Conde do mesmo título de Cunha, que principiou a exercê-lo em 19 de outubro de 1763” (p.146).
O relato de Pizarro contabiliza, em 1808, dentro da cidade “ 44U 944[3] indivíduos de ambos os sexos, entre brancos, pardos e pretos, quer libertos quer cativos, apesar de referirem os mapas parochiaes d’ella o total de 43U730 “, segundo explicação do autor, este número correspondia aos “Mapas Geraes das Relações dos Parocos, em 1799” (p 148). Diz ainda que a cidade do Rio de Janeiro tem em relação às províncias do Brasil, o maior número de habitantes.
Mas por que recorri a essa memória tão antiga, neste dia de aniversário de nossa cidade?
O Rio de Janeiro, desde a sede do Vice-Reinado, depois sede da Corte (que se mudou para o Brasil e aqui se estabeleceu), que virou Capital Federal em 1889, com a mudança de regime político e deixa de sê-lo em 1975, por mais umas arbitrariedades da ditadura militar, tem, em sua história, a marca da representação do Brasil.
Ao conquistar a Olimpíada, a Copa do Mundo, a Jornada Mundial da Juventude Católica, o Rio de Janeiro fez o que sua história vem mostrando desde a fundação da cidade por Estácio de Sá, em 1565: representou o Brasil.
Hoje, para nós dia de festejos, as cidades brasileiras deveriam se irmanar ao Rio: é o dinheiro do Rio de Janeiro com o petróleo que extraímos é que será dividido entre todos os brasileiros; são as belezas, a hospitalidade do povo e as características de nossa região que trouxeram para o Brasil todos esses eventos internacionais, que refletirão no turismo de todos os estados.
Querer bem ao Rio é fácil. Todos os que aqui moram são cariocas na hospitalidade, no sorriso, no bem-querer, no jeitinho bem humorado... Exportamos simpatia e sabemos disso. Aqui se realiza o maior carnaval do mundo em espaço projetado por Niemayer, nosso grande arquiteto, para o Carnaval.
Sei que estou sendo regionalista, me desculpem. Mas amo o Rio de Janeiro das vielas das favelas, das velhas ruas do Centro, do calçadão de Madureira, do piscinão de Ramos, da vista cinematográfica da Rocinha, da maior floresta urbana do mundo...
Sebastianópolis, um dia, Olavo Bilac chamou assim a cidade (Gazeta de Notícias, 18/11/1900),  que sempre foi diferente até no santo de devoção: São Sebastião, cruzado de flechas, amarrado ao tronco. Um santo guerreiro. Por isso aqui ficou também São Jorge, que até feriado ganhou, ao deixar de ser santo na Igreja. Para o carioca é e continua sendo. Não contabilizei, mas aposto que o maior número de devotos desses santos está no Rio de Janeiro.
O Rio sempre foi o centro de tudo: dos embates, dos festejos... Quem é do meu tempo vai lembrar que os grandes embates com a ditadura foram no Rio; a morte de Edson, a passeata dos cem mil... Vão lembrar, não pelo tempo, que isso acontece todo ano: o melhor réveillon  do mundo é na Praia de Copacabana, quem vai afirmar o contrário?
Não vou ficar aqui a escrever sobre esta cidade. Estaria sendo cada vez mais laudatória... Mas quem sem importa? Hoje é aniversário, é hora e momento de ser carioca, então, só vou escrever duas frases a mais: Rio eu te amo. Feliz aniversário!

Foto: EMBRATUR

[1]Obedecida grafia da fonte.
[2] Obedecida grafia da fonte.
[3] Desconheço o significado da  letra U .
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