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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

TIPOS HUMANOS DO RIO ANTIGO





O HOMEM DO REALEJO E SEU MACAQUINHO

  Lendo Luis Edmundo (1938), um memorialista dos primeiros anos do século XX, quando a cidade do Rio de Janeiro se transformava, sob o pretexto de “civilizar-se”, a Prefeitura do Distrito Federal, através de decretos, estabelecia normas com o intuito de “educar” o povo, assim se atacou e combateu muitos dos costumes populares como o de cuspir no chão, nos bondes e nas lojas; se proibiu  a venda de ambulantes e o comércio de leite que levava a vaca de porta em porta e a criação de porcos nos limites urbanos; se coibiu a exposição da carne na porta dos açougues;  foi vetada a circulação de cães vadios; tolheu-se  o descuido dos proprietários com a necessária pintura das fachadas das casas e comércios; vedou-se  o entrudo e os “costumes bárbaros” e  incultos” (NEEDELL,1993).
            A cidade do Rio de Janeiro, no início do século, era tomada pelo comércio ambulante, com aguadeiros e mascates que vagavam pelos logradouros com malas repletas de quinquilharias e gritos que caracterizavam o que estava sendo vendido (PARGA,1996). Não havia como não achar a cidade feia e longe da modernidade que se pretendia, pois este trabalho era realizado em grande parte pelos negros, sendo um ofício desprezados pelos chamados brasileiros mais pobres.  Achava-se que trabalhadores braçais não eram bem vistos, eram pouco ou nada valorizados, ainda que fossem ocupantes de ofícios indispensáveis numa sociedade que crescia e não tinha transportes suficientes, nem baratos, para levar quem queria comprar a quem pretendia vender.
            Tais medidas tiraram da cidade tipos humanos característicos que grandes nomes da caricatura do início do século retrataram. Cada um deles representava, também uma forma de ganho, pelo trabalho braçal, cansativo, de expor a mercadoria, tentar vendê-la com lucro e disso tirar o sustento. As mulheres pobres, também trabalhadoras, tinham suas atividades pautadas nos serviços que já faziam em casa nos cuidados do lar. Esses tipos se foram, na medida em que o capitalismo se consolidava e que novos empregos surgiam, nas muitas fábricas instaladas no Rio de Janeiro.
            Dentre a camada popular que se ocupava desses serviços informais que foram desaparecendo, os imigrantes (grande leva de portugueses e espanhóis, mas de várias nacionalidades), os negros livres com a abolição (que lhes deixou sem trabalho, sem estudo e sem qualquer oportunidade), os brancos pobres dos muitos “brasis” que acorriam à capital  em busca de estudos e trabalho. Destes tipos se forjou o trabalhador carioca que adaptando-se, até hoje, consegue sobreviver à parcos salários, moradias pouco dignas e estudos insuficientes. Mudamos de século, mas infelizmente, ainda que com outros tipos humanos, sofremos pelos mesmos males.


AMOLADOR (DESENHO ARMANDO PACHECO)


CANTOR DE MODINHAS (DESENHO J. CARLOS)
CAIXEIRO DE VENDA (DESENHO A. PACHECO)


DOCEIRO DE CAIXA

LAVADEIRA

MORADOR DE CORTIÇO (DESENHO J. CARLOS)

PEIXEIRO

LAVADEIRA DE CORTIÇO (DESENHO DE RAUL)





           
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